quarta-feira, 30 de março de 2011

Massa segundo Pio XII


O Papa Pio XII, em sua célebre Rádiomensagem de Natal de 1944, distinguiu magistralmente massa de povo.
O povo, ensina o Pontífice, é formado por indivíduos que se movem por princípios. Ele é ativo, agindo conscientemente de acordo com determinadas idéias fundamentais, das quais decorrem posições definidas diante de diversas situações.
A massa, ao contrário, não passa de um amálgama de indivíduos que não se movem, mas são movidos por paixões. A massa é sempre, e necessariamente, passiva. Ela não age racionalmente e por sua conta, mas se alimenta de entusiasmos e idéias não estáveis. É sempre escrava das influências da maioria, das modas e dos caprichos que passam. A massa é como a areia movida pelo vento, ou o rebanho nas mãos do pastor. Movem-na apenas veleidades: o dinheiro, a facilidade, o luxo, o prazer, o prestígio.
Como animais que temem desgarrar-se do rebanho, os indivíduos que compõe a massa jamais discordam da maioria. Pergunte a um jovem se conhece determinado cantor da moda, e ele terá imensa vergonha em confessar sua eventual ignorância. Sem seguida, ele procurará conhecer tal cantor, decorar suas músicas, conhecer sua história. Somente então, sentir-se-á reconfortado, pois estará finalmente "como todo mundo".
A inserção na massa lhe impõe que se vista como os outros, que coma como os outros, que goste do que gostam os outros.
Ser, pensar, agir, estar sempre, obrigatoriamente, "como os outros" é amoldar-se inexoravelmente a esse implacável "deus" chamado "todo mundo". É renunciar à própria individualidade, trocando-a pelo amorfo e medíocre "eu coletivo" da multidão.
Inserir-se na massa é socializar a si mesmo.
A massa é, portando, o povo degenerado.
Pode a massa ter cultura?

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